Páginas

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Desapegue: dia do ex-namorado


Pois é, se existe o Dia dos Namorados (já fiz um post sobre ele aqui), é claro que em algum momento iriam inventar um Dia dos Ex-Namorados. A data escolhida foi 18 de abril e o mais legal é que, ao invés de ser uma data meramente comercial, é uma maneira de ajudar as pessoas.


Com o slogan "Que pena que acabou. Mas já que acabou, doe", a ideia na verdade é uma campanha do Exército da Salvação em parceria com uma agência de publicidade americana e tem um objetivo muito nobre. No Dia dos Ex-Namorados as pessoas podem se livrar de todas aquelas coisas que lembram o falecido (a), como roupas, acessórios, pelúcias e outros. Todas essas recordações - que muitas vezes ficam enterradas no guarda roupas - podem ser úteis e fazer a diferença na vida de quem realmente precisa.


Para divulgar a iniciativa, foram criados anúncios super legais em jornais que se transformam em caixas de presente nas quais os objetos para doação podem ser colocados. Além disso, também foi desenvolvido um aplicativo no facebook, onde os mais desapegados podem queimar as fotos do ex e compartilhar com os amigos, mostrando que quem vive de passado é museu. Isso sem contar uma animação bem bacana em stop motion:



Quer participar? As doações podem ser feitas online e o Exército da Salvação vai até sua casa retirar os objetos. É só agendar por aqui ou pelo telefone 4004-2299.

sábado, 13 de abril de 2013

Dia do Beijo 2013

Os dedinhos reproduzem uma cena famosa, protagonizada ao final da Segunda Guerra

Não se sabe ao certo a origem da data, mas uma das versões mais populares conta que o Dia do Beijo surgiu por conta de um italiano. Enrique Porchelo, beijava todas as mulheres de sua vila, não importava se eram casadas ou solteiras. Muito contrariado com a situação, em 13 de abril de 1882, um padre local teria oferecido moedas de ouro a todas as donzelas que ainda não haviam beijado o tal  homem. O problema é que nenhuma apareceu e, reza a lenda que o tesouro está escondido em algum lugar da Itália até hoje. 


Um dos beijos mais famosos da vida real: sem nunca terem se visto,  marinheiro e enfermeira se beijam em comemoração à rendição japonesa
Com ou sem essa história, a verdade é que beijo é muito bom. Ou, ao menos, para a maioria das pessoas. Eu mesma achava que devia ser um consenso - como alguém poderia não gostar? Mas tenho uma amiga que DETESTA (ela usa essa palavra mesmo) beijar. Ficaria até feliz se fossem só relatos de outros, mas já tive que ouvir de um paquera - no meio da pegação - que ele não gostava de beijar. 

Tipos de beijo
Como será que o autor catalogou as quase 500 formas de beijar?
Segundo o “Dossiê do Beijo", livro de Pedro Paulo Carneiro, existem 484 formas diferentes de beijar. No meio de tantas opções, estão aqueles beijos deliciosos, que nos fazem até esquecer onde estamos. Tem o beijo que é muito bom, mas tem potencial para melhorar; e tem o beijo mediano, que não é ruim, mas também não é aquela brastemp. 

A coisa se complica mesmo com os ruins de natureza, esses a gente nunca esquece. Você pode até não se lembrar dos melhores beijos da sua vida, mas os piores, ah... esses marcam. Tem beijo que o problema é meramente falta de encaixe: não importa o que você faça, os lábios não se acertam e as línguas não entram em consenso. Simplesmente não combinam. Eu até acreditava que não existia beijo ruim, que era tudo uma questão de perspectiva. Mas até a teoria da relatividade tem seus limites.

Pra começar, um clássico: aquele que acha que beijo bom é aquele que tem colocar muita língua. Muito parecido com esse, temos o "beijo acrobático": a pessoa movimenta tanto a língua e dá tantas voltas que é impossível acompanhar. E o "volta ao mundo"? A língua fica girando dentro da sua boca como se fosse uma motocicleta dentro do círculo da morte. Isso sem contar aqueles em que você é quase engolida ou que fica toda babada. Ah! Não posso esquecer o "língua parada", objeto de discussão no meu carnaval desse ano: eis que, no meio do beijo, do nada, a pessoa fica com a língua parada dentro da sua boca. Ficamos discutindo qual seria o objetivo disso... Vocês, queridos leitores, podem me mandar suas teorias?

Se alguns colocam a língua demais, não sei o que é pior. Isso ou o beijo vácuo: você vai com aquela vontade boa de beijar e não encontra nada. Fica lá, com uma língua solitária, desconcertada e sem saber direito se continua a colocar. Ou não.




terça-feira, 19 de março de 2013

Recomende um ex

Tá aí um tâmbler que achei bem curioso. O Recomende um Ex é um espaço em que você pode falar bem daquela pessoa com a qual já teve um relacionamento, mas que não deu muito certo. Tipo quando a gente tem uma noite ótima de sexo com um peguete - daqueles que não rola sentimento/apego -, e recomenda ele pra amiga no dia seguinte (sim, isso acontece!).



O site traz as fotos dos ex-namorados e namoradas, e uma pequena descrição do quão maravilhosa a pessoa é. Lá você encontra de tudo, de textos poéticos a outros... bem, nem tanto. 


"Ela faz relógio virar calendário.
As horas do seu dia com ela vão virar as melhores horas da semana, do mês e ano!"



Instinto de leão, pegada de gorila 
Um baiano que tem tudo que vc precisa na capital federal. Ideal para noites românticas e almoços em família! 



A criadora, Carla Cortegoso, em entrevista ao P3 (você confere aqui), conta que tinha um ex "tão legal, mas tão legal, que merecia encontrar alguém tão legal quanto ele". Conversando com colegas de trabalho, descobriu que eles também tinham "ex legais que deveriam ser bem recomendados". E assim nasceu o tâmbler.

Fiquei pensando: será que os anunciados sabem que estão ali? Não sei, parece com o que minhas amigas fazem quando acham que estou encalhada. Ou o tipo de coisa que minha mãe faria para arrumar um genro.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Pelado, pelado, nu e jogando totó


Todo brasileiro conhece o ditado que as coisas só começam a funcionar nas terras tupiniquins depois do carnaval. Não é mera coincidência que volto a postar no blog justamente nessa data. 2012 foi um ano extremamente cheio pra mim – dois empregos, frilas, vida social, academia, aula de dança -, enfim. Não é que a Norma fosse um projeto de segundo plano, mas por vários motivos não conseguia me dedicar a ela como devia. Mas chega de desculpas e sem mais delongas, volto a escrever, cheia de planos e expectativas.

Nada mais justo que reinaugurar o blog com uma experiência que me deixou muito feliz. Fui passar o carnaval com alguns amigos no Rio e numa dessas noites, em casa só com as meninas, resolvemos tirar a roupa. E ficamos ali, só de calcinha, bebendo, conversando bobagens e jogando totó. Os de imaginação mais fértil já vão pensar que o post vai se desdobrar em um conto erótico com quatro mulheres se pegando loucamente. Mas não. Ficamos assim e o máximo que aconteceu foi uma espécie de aula de strip tease, em que cada uma simulava o que faria e assim podíamos trocar ideias. Aí você se pergunta, afinal, por que escrever sobre isso? Calma, eu chego lá.

Voltando para BH, comprei uma TPM para ler durante a viagem e qual não foi minha surpresa quando vi que era uma edição especial sobre a nudez. A revista discute a hipocrisia do país que, no carnaval admira seios e bundas desnudos, mas que condena um topless na praia, um vestido muito curto e que acha sem sentido a marcha das vadias.
Tá tudo liberado no carnaval
O problema é que esse modo de pensar da sociedade em geral fica tão preso na cabeça das pessoas – especialmente das mulheres, que tem a nudez muito mais condenada - que ficar pelado, mesmo em lugares e ocasiões que seria normal, é algo que incomoda. Enquanto lia, me lembrei da minha reação sentada à mesa com minhas amigas. Eu, que me considero sem vergonha, me peguei algumas vezes intimidada pela situação e instintivamente tentava cobrir os seios.

Censurado
São vários os motivos que levam a essa inquietação. O primeiro que me vem à cabeça é o desconforto que as mulheres sentem com relação ao próprio corpo, que não se parece com o de uma panicat ou com a capa da playboy. Somam-se os tabus e preconceitos que existem em torno da nudez, que ainda não é vista como algo natural . O nu ainda choca: uma manifestante de roupa não chama atenção; pelada, ela vira notícia. Além disso, a nudez é associada ao sexo, algo ainda reprimido. Isso sem contar que, para muitos ficar pelado é estar desprotegido, vulnerável, como se todo o seu ser – com qualidades e defeitos – estivesse à mostra.
"Proibido pela censura
O decoro e a moral
Liberado e praticado
Pelo gosto geral
Pelado todo mundo gosta
Todo mundo quer
Ah é? É!
Pelado todo mundo fica
Todo mundo é..."
Ultraje a Rigor


Para quem gostou do tema, vale a pena ler a TRIP. Além de uma entrevista com a Luana Piovanni – que é capa da edição -, tem também um bate papo super legal com o Otto, com o JR Duran e com o James Deen, ator pornô sensação nos Estados Unidos. Outro relato que gostei muito foi da Milly Lacombe, colunista que topou de despir para estranhos em uma aula de desenho.

Uma das minhas recordações mais antigas quando penso em nudez, abertura de uma novela que tinha como tema a música do Ultraje a Rigor

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Promoção

A Prudence está celebrando 21 anos e para comemorar lançou a linha Prudence Vintage, que traz vários produtos com embalagem retrô. Gostou? E que tal ganhar um kit exclusivo com todos esses itens? É fácil, basta curtir e compartilhar a página da Norma no Facebook e se inscrever no link da promoção. O resultado sai dia 04 de dezembro. 


Nos próximos posts, mais informações sobre cada produto do kit!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Um aterrorizante filme... pornô?


Há um tempo vi Louis Theroux e a Indústria Pornô, um documentário que mostra como a indústria de produções adultas tem sobrevivido com a internet - e as infinitas possibilidades que a rede oferece, como o vasto acervo disponível e os filmes amadores, por exemplo. Já não vemos mais nas locadoras - as poucas que ainda existem - aquela seção escondida em que as crianças eram proibidas de entrar e quase ninguém está disposto a comprar pornôs.

Uma das saídas são os longas destinados a casais, que tem mais história e que são esteticamente mais bonitos. Outra aposta são as superproduções, como as paródias dos longas hollywoodianos (já falei sobre isso aqui). Alguns filmes são criativos, mas outros, sinceramente, beiram o ridículo e me parecem dinheiro jogado fora. Como essa que fala o post de hoje.


Inspirado em um sucesso do terror da década de 80 - Evil Head, a morte do demônio - a paródia pornô também traz mortos-vivos (ou mortas, no caso) e pessoas sujas de sangue. A questão é: é para ficar excitado ou para rir?


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Blogueira do Mês - Lasciva


Nesse segundo semestre o blog está cheio de projetos novos (se tudo der certo, até o final do ano estará com layout novo e novas colunas). Uma delas estreia hoje, a “Blogueira do mês”.

Fiquei um pouco incomodada com todo esse frenesi em torno do 50 Tons de Cinza e a discussão de que o livro teria dado mais liberdade – principalmente para as mulheres - discutirem o sexo. Discordo, pois muito antes do Best Seller, já havia muitas outras publicações – bem mais ousadas, inclusive – que falavam de sexo e eram voltados para o público feminino. Recentemente ganhei de presente o Delta Venus, da Anaïs Nin e fiquei surpresa como uma escritora da década de 50 já falava sobre sexo com tanta liberdade e ousadia. 

Vale citar também as produções pornôs que são voltadas às mulheres (já falei disso aqui), alguns programas televisivos (como o extinto PontoPe na MTV e atualmente o Amor e Sexo na Globo, para citar alguns), movimentos como a Marcha das Vadias e a vasta produção de conteúdo nas redes sociais. Do meu ponto de vista, o 50 Tons de Cinza apenas deu publicidade a esse movimento que já vinha acontecendo.

Foi pensando nisso que criei a nova coluna que irá trazer, todo mês, uma entrevista com o que eu chamo de “blogueiras sexuais”. Pode parecer fácil escrever sobre sexo, mas talvez seja aí que a maioria erre: é preciso sair do óbvio, trazer temas de qualidade e textos bem escritos. Afinal, aquela velha história de “Dicas de como fazer seu homem gozar 69 vezes” já cansou né? E, além disso, é preciso coragem para expor suas opiniões sem medo de ser julgada. É por isso que, para esta edição, escolhi uma blogueira que combina todas estas características: Lasciva


Jornalista com especialização em relações públicas, Lasciva tem 28 anos e mora em São Paulo. Na cidade da vida noturna e da efervescência cultural, ela gosta de ir a exposições de arte, a shows de música e não abre mão da companhia dos amigos. Diz que já foi mais baladeira, mas a falta de tempo e dinheiro a tiraram das casas noturnas. No fim deste ano, ela irá se mudar para o Rio de Janeiro, onde poderá ter mais contato com a natureza e atividades ao ar livre – outros de seus hobbies. Lasciva também adora ler – diz que lê o tempo todo, principalmente literatura e revistas. Seu blog é um sucesso e com cerca de 5.500 visitas por dia, mais de 160 mil por mês.

Norma: Há quanto tempo você possui seu blog?
Lasciva: Inaugurei meu blog há um ano e sete meses. Não considero que escreva para mulheres, afinal cerca de 45% do meu público é masculino. Claro tenho um ponto de vista o feminino e acabo produzindo muito conteúdo voltado para garotas como eu - sobre estilo e relacionamentos, principalmente. Mas minha proposta é produzir conteúdo sensual e muitas das minhas dicas e referências são destinadas aos homens, também.

N: Como surgiu essa sua vontade de escrever sobre sexo?
L: É uma vontade antiga. Quando ainda era estudante, há cerca de oito anos, surgiu a onda dos blogs e comecei a me questionar que conteúdo eu poderia produzir. A ideia de escrever sobre sexo surgiu naturalmente, pois é o assunto sobre o qual mais falo. Até por isso mesmo fui chamada para manter uma coluna numa revista que alguns amigos estavam desenvolvendo. Foi quando criei o codinome Lasciva, escrevi minhas primeiras crônicas e até umas respostas a perguntas que eles mesmo formulavam. Já publiquei um pouco dessa história no blog. A revista nunca foi editada, mas a ideia de continuar a tal coluna em alguma página na internet ficou na minha cabeça. Demorou todos esses anos para amadurecer o projeto, dispor de tempo para investir, arregaçar as mangas e mandar ver. De qualquer forma, o blog começou como um experimento - de registrar histórias que considerava importantes para mim. Tornar públicos tais relatos me permitiu observar a reação das pessoas a respeito.

N: Como o blog começou?
L: Foi numa época em que fiquei desempregada, tinha acabado de concluir a pós-graduação - ou seja, tive tempo livre - e ainda estava namorando um rapaz que gostou do projeto e me deu o maior apoio. Então fiquei alguns meses registrando com o gravador as histórias que contava aos meus amigos - havia uma penca delas. Aí criamos um domínio, montamos um layout bem amador e comecei a escrever. Com minhas investidas em divulgação, surgiram emails de pessoas compartilhando as vidas delas comigo. Então, passei a escrever também dicas para o público. Com isso, percebi a necessidade de produzir conteúdo mais especializado, pesquisar sobre o assunto. Fui chamada para redigir artigos para outros blogs e os resultados foram me impulsionando a desenvolver e ampliar meu conteúdo.


"Sou uma garota que vivenciou algumas formas de amor livre 
e está sempre rodeada de pessoas que não 
seguem os padrões tradicionais de relacionamentos. 
Sou um corpo de experimentos, capaz de me permitir de tudo 
para pôr à prova meus desejos e convicções. 
Vou além de um site de contos eróticos, 
pois encarnei minha própria personagem."

N: Alguns blogs trazem uma abordagem mais utilitarista, outros um viés mais feminista, outros de discussão. Que abordagens você usa em seu blog?
L: Busco produzir e divulgar conteúdos sobre erotismo, sexualidade e relacionamentos. Quero inspirar as pessoas, intrigá-las, fazê-las refletir. Não gosto de estipular regras do que se pode ou não fazer durante o sexo, mas esse tipo de tema - que chamo de autoajuda sexual - tem uma demanda enorme. Diria que boa parte do que escrevo é um conteúdo egocêntrico e autorreferente, mas de alguma forma vejo que as pessoas se enxergam ali (ou em mim). Seria, portanto, uma abordagem reflexiva e introspectiva, com uma boa dose de mindblowing.

N: Como você escolhe os assuntos que irá tratar?
L: É orgânico. Estou sempre com o moleskine à mão. Se tenho alguma ideia, falo sobre algum assunto novo, já tomo nota e começo a desenvolver. Algumas das minhas histórias surgem de conversas com amigos. Geralmente são situações singulares que gostaria de registrar, tanto fatos marcantes do meu passado, como experiências atuais que fazem diferença na minha vida. Muitas das pautas vêm de perguntas que recebo do público, por email. Escrevo sobre diversos assuntos, coisas que me interessam - mas nem tudo de fato interessa ao público. Fiz uma pesquisa sobre conteúdo antes de lançar um novo layout e me guio por muitas das sugestões que recebi.

N: O que você acha que seu blog traz de novo?
L: A novidade é que sou uma garota que vivenciou algumas formas de amor livre e está sempre rodeada de pessoas que não seguem os padrões tradicionais de relacionamentos. Sou um corpo de experimentos. Capaz de me permitir de tudo para pôr à prova meus desejos e convicções. Vou além de um site de contos eróticos, pois encarnei minha própria personagem. E tudo o que escrevo é mesmo real.

N: O que você jamais faria no seu blog?
L: Não gosto de produzir pornografia, a não ser para consumo próprio. Eu não publicaria um filme pornô explícito em que eu fosse a protagonista, ou fotos minhas fazendo sexo. Já é comum ser estigmatizada por publicar conteúdo erótico, por isso tento fugir de material pornográfico - apesar de consumir e gostar muito. Mas é importante me distinguir, pois trato de comportamento, sexualidade - de forma ampla. Quero fazer as pessoas pensarem. Também gosto de instigar os outros e provocar tesão, mas como consequência de inspirar ideias e vontades.



"As pessoas do meu cotidiano são, 
em geral, mente aberta. Inclusive na minha família. 
Grande parte daqueles com quem convivo 
gostam do blog e me apoiam.
Sou mais alvo de preconceito na internet que fora dela. 
Muito mais."

N: Hoje temos muitas blogueiras que escrevem sobre sexo. Como você avalia essa produção? Tem preferidas?
L: Acompanho menos blogs do que eu gostaria. Por falta de tempo, mesmo. Acho que as mulheres escrevem melhor sobre sexo, porque os homens são muito toscos. Recentemente, conheci o blog Para Pensar em Sexo, da Francesinha, que gostei muito. Também curto demais os textos da Bel, com quem tenho mais contato na internet. A SweetieBird tinha um blog na Época, chamado Sexo na Cidade - uma pena que acabou. O blog Sexpedia, também da Época, escrito pela jornalista Nathalia Ziemkiewicz, tem muita coisa quente sobre o assunto, adoro.

N: Qual sua opinião sobre o fenômeno 50 tons de cinza? Por que você acha que esse livro realmente faz tanto sucesso?
L: Estou estupefata. É o livro que mais vendeu na história. Como consumo muito conteúdo erótico, para mim ele não trouxe grandes novidades. Acho que o maior atrativo do livro é que ele é quase um conto de fadas, só que factível. Então além do erotismo, ele cria uma fantasia à qual as mulheres podem se permitir e onde podem se ver.

N: Você é uma pessoa completamente aberta que não tem vergonha de se mostrar. Desde o começo do seu blog, sempre foi assim? Essa opção alguma vez atrapalhou você – seja em relacionamentos, seja profissionalmente?
L: Durante mais de um ano eu escondi meu rosto, justamente com receio de ter problemas profissionais e porque, de alguma forma, existem aspectos da minha vida pessoal que ainda quero preservar. Mas era muito ruim ficar nas sombras, sentia-me ainda mais marginalizada. Agora que tenho uma cara, diversas outras oportunidades se abriram para mim - como a proposta de gravar meu programa de vídeo. No meu último emprego, meus chefes imediatos sabiam do blog e aceitavam numa boa. De qualquer forma, é complicado, principalmente porque sempre trabalhei no meio político - onde tudo pode virar escândalo. Sobre relacionamentos, o blog afeta diretamente minhas relações afetivas, pois os caras com quem me envolvo sabem que provavelmente serão transformados em personagens em minhas histórias. A princípio, acho que eles lidam bem com isso, só que não estou dentro da cabeça deles, eu não sei - pessoas mudam de ideia muito fácil. Já tive problemas com amigos que diziam gostar do projeto, mas em algum momento se sentiram incomodados com algo que fiz ou escrevi. Até meus familiares sabem e guardam sentimentos dúbios a respeito. Complexo. A questão é que nunca achei que eu passaria o resto da minha vida narrando minhas experiências sexuais, porém enquanto fizer isso vai ser difícil de lidar com a reação das pessoas. Sei disso.



"Quero fazer as pessoas pensarem. 
Também gosto de instigar os outros 
e provocar tesão, 
[mas como consequência de inspirar 
ideias e vontades."

N: Infelizmente mulheres bem resolvidas sexualmente ainda sofrem muito preconceito. Como é seu relacionamento com as pessoas no geral? Você sofre muito preconceito? As pessoas estranham quando você diz que tem um blog sobre sexo?
L: As pessoas do meu cotidiano são, em geral, mente aberta. Inclusive na minha família. Grande parte daqueles com quem convivo gostam do blog e me apoiam. Sou mais alvo de preconceito na internet que fora dela. Muito mais.

N: E com os leitores, como é sua relação? Você tem algum caso que tenha te marcado mais?
L: Tenho um carinho enorme pelo meu público, por todas as pessoas que me escrevem, que me dão apoio. Os elogios e até as críticas que recebo são a força motriz do meu projeto. Sem essas pessoas, nada teria sido possível. Raramente topo encontrar alguém que conheço na internet, mas cheguei a conhecer algumas garotas que me leem. Uma vez, um garoto me pediu um autógrafo o Youpix - achei o máximo.

N: Quais são seus planos futuros, com relação ao blog e outras produções?
L: Preciso concluir minhas histórias e vou lançar meu programa de vídeo. Queria muito ter alguma verba para investir no blog e poder contar com colaboradores. Queria que ele tivesse mais conteúdo.

N: Alguma outra coisa que você ache interessante falar?
L: Quem vê não imagina a ralação que é manter esse blog. E nunca consigo me dedicar tanto a ele como eu gostaria. Em todo esse tempo que o mantive, é como se eu tivesse apenas investido - o retorno financeiro foi praticamente nulo. É muito difícil vender anúncio em um site que trate de conteúdo sexual. Mas, de qualquer forma, enxergo tudo isso como um grande aprendizado. Quando vejo o tanto que evoluí nesse período, tenho certeza de que valeu todo o meu esforço.